O duro embate que se trava entre a Companhia de Informática do Paraná (Celepar) e o Sindicato dos Trabalhadores em Informática e Tecnologia da Informação (Sindpd-PR) não acontece por acaso, não apareceu do nada, simplesmente porque a atual direção da empresa – importada do ICI curitibano – não foi com a cara dos dirigentes e retaliou cortando seus salários… Muita calma nessa hora! O que acontece é que o Sindicato e os direitos dos trabalhadores da empresa são a pedra no caminho do rumo privatista na meta ferrenha do governo tucano de Beto Richa. Já vimos esse filme antes: em 1998 à época do Leilão de Privatização das Teles pelo governo FHC.
E os passos privatistas são bastante claros. Porque para enxugar ao máximo a empresa, investir na aquisição da mais moderna tecnologia e equipamentos, torná-la leve e atraente aos compradores, futuros parceiros em contratos milionários com o governo para a prestação de serviços (vide ICI novamente), a empresa precisa descer pesado o braço sobre o sindicato, atropelar direitos e passar a régua nos salários. Já vimos episódio similar na implantação dos pedágios: primeiro se arruma a estrada, reforma, deixa ela um tapete e depois entrega tudo isso de bandeja às concessionárias.
Relançar esse filme antigo esteve entravado na garganta do grupo político do qual Beto faz parte por oito anos e, apesar de todas as contradições do governo Requião (PMDB), a implantação da plataforma de software livre e a gestão em si da empresa travou os avanços e a intenção de “privataria”. A visão tucana de administração pública passa por transformar o estado em uma grande caixa registradora, para arrecadar e expropriar o máximo possível, até o limite de esgotamento. Pode chamar do nome que for, o que o governo demotucano de Beto e Taniguchi pretendem é privatizar a Celepar. Se isso acontecer, não adianta chorar sobre o leite derramado, pois este será um caminho sem volta.
E é por isso que a atuação firme do Sindpd-PR incomoda tanto a ponto de cortar liberações e o salário dos dirigentes, de passar por cima da legislação trabalhista, da formalização do acordo coletivo e da própria Justiça do Trabalho. Por isso é que o terror sobre os trabalhadores se tornou arma, o enfraquecimento da representação sindical virou uma necessidade e é tão indigesto para a direção da empresa ouvir um simples e honesto apelo Da parte dos trabalhadores: RESPEITO NÃO TEM PREÇO!!!
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4 comentários
E mais uma coisa: as licitações de informática foram a principal sustentação do mensalão do DEMO aqui em Brasília. E o ICI, com suas contas muito obscuras, esteve envolvido nas denúncias de caixa 2 na campanha da reeleição da dupla Taniguchi-Richa. Será por acaso?
PS: Taniguchi, secretário de “desenvolvimento” urbano do Distrito Federal na época da prisão do demo Arruda, foi responsável pelas estranhas licitações para ampliação da Estrada Parque Taguatinga (EPTG), que estranhamente passou a ter faixa exclusiva para ônibus no lado esquerdo (à Ligeirinho), ônibus estes cuja licitação foi embargada pelo Tribunal de Contas do DF devido a indícios de fraude por parte do poder público.
Lembrei agora que há tempos eu esperava a vigência de Lei de Acesso à Informação para requerer documentos sobre o ICI. Adivinhe se tem um link sobre acesso à informação na página da prefeitura municipal?
Aliás, meu comentário sobre isso: http://noticias.marxismo-online.com.br/politica-brasileira/acesso-informacao-e-curitiba-tucanos
Só para esclarecer a respeito das Teles, no governo FHC.
Quais os objetivos para privatizar.
O primeiro era fortalecer o papel regulador do Estado e eliminar o seu papel de empresário. O segundo, aumentar e melhorar a oferta de serviços. O terceiro era, num ambiente competitivo, criar oportunidades atraentes de investimento e de desenvolvimento tecnológico industrial. O quarto: criar condições para que o crescimento do setor fosse harmônico com as metas de desenvolvimento social do País. E, por fim, maximizar o valor de venda das estatais, sem prejudicar os objetivos anteriores. Muitas vezes é questionado se o Sistema Telebrás foi mal vendido, ou o preço talvez não tenha sido adequado. Pelo contrário. O governo, naquela ocasião, tinha de 17% a 19% do capital e a sua participação foi vendida por US$ 19 bilhões. Isso equivaleria a atribuir um valor total de cerca de US$ 100 bilhões à Telebrás. Se formos verificar o valor das empresas mundiais, apenas a maior, a Vodafone, tem um valor de mercado acima de US$ 100 bilhões. A segunda empresa, a Verizon, está com valor da ordem de US$ 80 bilhões.