A idosa Enoeni Elói de Andrade, de 77 anos, moradora da região da Vila Formosa, foi despejada na manhã desta segunda-feira (21) em Curitiba e viu sua casa mista de madeira e alvenaria, onde residia há mais de 30 anos, ser totalmente destruída pelas máquinas da prefeitura municipal, sob o comando da Administração Regional do Portão. Desde 1996 há uma ordem de despejo sobre a família de Enoeni, mas os prefeitos anteriores não cumpriram pela precariedade da situação da idosa que, apenas com a renda proveniente da pensão pela morte do marido, cria um neto menor de idade. Segundo os vizinhos, os objetos e móveis da idosa foram encaminhados para um depósito da Prefeitura de Curitiba e ela e o neto estão, provisoriamente, abrigados na casa de uma filha.

Advogada do movimento de luta pela moradia reclama de perseguição política contra a idosa, além de desrespeito e desumanidade.
Segundo a advogada dos movimentos de luta pela moradia, Ana Célia Lourenção, o cumprimento da ação de despejo sem prever uma alternativa de moradia para a idosa é, além de desrespeito, uma ação que atenta contra o estatuto do idoso e afronta os direitos humanos. “A maioria das cerca de 200 famílias da localidade aguardam a transferência para uma área no Arroio, região da CIC, que integra as obras do PAC Habitação. A obra está paralisada por problemas entre a prefeitura e a empreiteira. A filha de Dona Enoeni é uma dessas pessoas contempladas, mas ela não”, disse Ana Célia. A idosa conta que em 1996 ela não permitiu que o então prefeito, Rafael Greca de Macedo, entrasse em sua casa com a imprensa para fazer propaganda com o drama da ocupação e que essa negativa teria sido o motivo da ação de despejo contra a moradora. “Eles alegam que é região de fundo de vale, pois o valetão Formosa passa por ali, mas há construções, comércio, prédios em volta e a ordem recai apenas sobre a Dona Enoeni”, disse a advogada.
“A distância entre a casa derrubada da idosa e a da última família contemplada pelo PAC é de menos de 30 metros, basta atravessar a rua. Por isso, a prefeitura deveria incluir a idosa no cadastro das famílias a serem transferidas e não simplesmente colocar sua casa ao chão e despejar a senhora sem qualquer alternativa. É desumano!”, completou Ana Célia. O despejo se deu próximo às esquinas das ruas Sebastião Malucelli e Pedro Zagonel, no Novo Mundo.





2 comentários
EU GOSTARIA DE SABER DA “JUSTIÇA”QUANDO É QUE VÃO MANDAR OS TRATORES DERRUBAR AS MANSÕES DE POLITICOS E EMPRESARIOS QUE TAMBEM ESTÃO EM AREA DE PRESERVAÇÃO????
É muito triste ver esse tipo de atitude, nossa saúde esta precária, a nossa educação lamentável
e agora mais isso. Pensei que tinha visto tudo,mas me enganei não nada ainda.