Greca: “Linha Verde é a obra mais cara do mundo”

"Eu quero ser candidato. Vou me divertir muito" (Rafael Greca).

Ele não esconde que quer ser candidato a prefeito de Curitiba, nem que seja para se divertir bastante. Sem dúvida, quem já foi prefeito, ministro, deputado federal e deputado estadual, reúne informações suficientes para agitar a cena política das eleições municipais de 2012 na capital paranaense. Rafael Greca (PMDB), por meio do seu perfil no Twitter, desceu a borduna na intervenção da Linha Verde, que ele conclui com a singela ajuda de uma calculadora, ser a obra de engenharia urbana mais cara do mundo. “Treze milhões de reais o quilômetro construído é um absurdo”, disse. “Não é à toa que o Banco Interamericano de Desenvolvimento demonstra ter desistido de financiar a Linha Verde”, argumentou Greca.

Vamos refazer a conta. Segundo o peemedebista, a Linha Verde já consumiu R$ 121 milhões do BID. Só nos primeiros nove quilômetros. São necessários mais R$ 86 milhões para esticá-la até o trevo do Atuba (o chamado trecho Norte de 8 Km) e mais R$ 58 milhões para completar o trecho Sul, ou seja, do seu limite atual até o Contorno de Curitiba. Passando a régua, são R$ 258 milhões que, distribuídos ao longo de 20 Km, resultam em aproximadamente R$ 13 milhões o quilômetro construído. Questionado sobre o que seria possível fazer com os mesmos R$ 258 milhões, Greca usou o exemplo de obras do seu governo municipal para tecer comparações. “É um valor maior que o programa do BID que garantiu para Curitiba a construção de seis Ruas da Cidadania – Boqueirão, Santa Felicidade, Pinheirinho, Boa Vista, Fazendinha e Matriz/Praça Rui Barbosa – e a pavimentação de todos os quatro anéis do Interbairros, por cerca de 1.400 Km de rua.

E sobram motivos para reclamações além do custo da Linha Verde, pois faltam 15 trincheiras previstas no seu projeto original, há sinaleiros embaixo dos viadutos, os congestionamentos em horário de pico são uma constante e os acidentes idem, sem contar que as intervenções no trecho coincidem com o calendário eleitoral, o que faz com que se gaste muito em “obra para inglês ver”.

Treze milhões o quilômetro construído!

Sucateamento do sistema

“Não existe uma semana sem que ocorram acidentes com ônibus na cidade. É reflexo do sucateamento do sistema”, lembrou Rafael Greca. Aliás, o transporte coletivo da cidade também passou por licitação em período eleitoral. Huuummm! Está à beira de um colapso. O projeto do metrô, alardeado como grande negócio, coloca pulgas atrás da orelha de Greca. “Eu não enterraria nada na cidade onde nasce o Rio Iguaçu”, disse. “É difícil cuidar de um eixo de 14 Km, de um gigantesco jardim ambiental. Não conseguem cuidar nem de um canto de praça ou ‘carpir’ o Jardim Botânico, que foi entregue à empresa O Boticário para ser cuidado, como vão conseguir cuidar desse eixo do metrô?”, ponderou Greca. Se estiver mesmo interessado no páreo, o ex-prefeito, ex-deputado e ex-ministro tem chances, sim, de agitar a corrida eleitoral. Argumentos próprios do jogo político, que o qualifiquem e que pautem uma boa discussão sobre o futuro da cidade de Curitiba, não um mero plebiscito personalista entre esse ou aquele rosto na TV, ele tem. Mas vai ter de enfrentar uma batalha homérica, antes, nas hostes peemedebistas, uma vez que o partido anda pouco expressivo na capital para as disputas majoritárias e há tempos funciona como uma federação de interesses de caciques.

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