Entrevista Renato “Thrash” Pastina

Publicada originalmente no blog Resistência

Qual é o Seu nome completo?
Meu nome é Renato Pastina

De onde surgiu esse apelido “Thrash”?
Esse apelido surgiu há mais de 20 anos, porque desde moleque eu to no meio do metal e hardcore.

Você é de Curitiba mesmo? Se não for, conte como você veio parar aqui.
Eu sou de Piracicaba, interior de São Paulo, e moro em Curitiba há 8 anos, mas já visito a cidade para vender material de tatuagem faz mais de 10 anos.

Qual foi seu primeiro contato com universo da tatuagem?
Entrei no mundo da tattoo graças à barulheira mesmo, admirava as bandas e as tattoos , acho que tem tudo a ver uma coisa com a outra, fazia parte do underground em todo o mundo.
Como você entrou no ramo profisionalmente? Quais foram seus primeiros trabalhos?
Eu sempre trabalhei com vendas e quando tive oportunidade de vender produtos que eu gostava e conhecia, tendo já várias tattoos, aproveitei essa chance. No começo, em 2002, vendia mais piercings, depois fui cada vez mais passando para a tattoo. Já conhecia a maioria dos estudios do sul, e como gostava muito de Curitiba, resolvi abrir a minha loja por aqui.

Explique um pouco sobre o trabalho que faz atualmente.
Nós temos uma loja de materiais para tatuagem e piercing, somos distribuidores de uma marca de tinta e materiais em geral pra tattoo em toda a região sul, também enviamos os produtos para todo o Brasil, através do nosso site. Tentamos sempre inovar com materiais de alta qualidade e sempre respeitando os clientes, mantendo o respeito e cobrando um preço justo. Também realizamos vários workshops para especialização em todos os estilos de tatuagens, trazendo alguns dos maiores artistas do país para compartilhar seu conhecimento e técnicas com os profissionais de Curitiba e região.
Em quais regiões do Brasil existem mais demanda para os produtos que você vende?
Hoje em dia existe mercado em todo lugar, a tatuagem atingiu todos os tipos de público, não é mais somente relacionada ao rock e ao underground. Cada cidade, por menor que seja, sempre tem um estúdio de tattoo.

Qual a maior dificuldade de trabalhar com distribuição de materiais para tatuadores?
O mercado atualmente é bem concorrido, o que a gente tenta fazer para manter nossos clientes é sempre ter o maior respeito por eles, sempre ajudar no que pudermos, trazer para eles o melhor material com um preço justo, ajudar no aperfeiçoamento das técnicas, através dos workshops e dos tatuadores que vem de fora para tatuar os profissionais da cidade em nosso espaço de tattoo, e se dedicar totalmente ao trabalho. O que eu procuro é criar não só novos clientes, mas novos amigos, e isso geralmente acontece porque faço o que gosto, então sempre é bom conversar com as pessoas, ver as dificuldades, falar um pouco de besteira também, a gente trabalha e se diverte.

Como eram o mercado e o público na época em que começou a trabalhar no ramo?
O público da tatuagem não tem mais uma definição, você vê pessoas de todos os estilos tatuadas. Existe tatuagem para todos os gostos, e os tatuadores não tem mais a mesma imagem de antes, de uma atividade relacionada exclusivamente ao underground. O preconceito diminui cada dia mais, e o ramo da tattoo está cada vez mais se profissionalizando, e a arte vai se desenvolvendo por si só, sem precisar ser vinculada a algum rótulo. Hoje o acesso aos materiais de qualidade acelerou esse processo, o tatuador não tem que passar por todas as dificuldades que passavam há 20 anos, tudo é mais fácil, e a internet talvez tenha ajudado muito nisso.

Você já apoiou outros shows antes do Noite Nervosa? Caso não tenha apoiado fale sobre o que fez você mudar de idéia.
Eu nunca tinha tido a oportunidade de apoiar um show, sempre apoiamos a todos os eventos realizados por tatuadores, como exposições, festas. Essa chance veio através do pessoal da TNT Tattoo que me deu a idéia e eu gostei, já que é o tipo de som que gosto. O Navau (Aleks Punk), vocal do Calibre12 é um grande amigo, a gente se conhece desde o meio dos anos 90, antes de eu imaginar que ia trabalhar com tatuagem. Agora que temos condições de apoiar um evento como esse, não podia ficar fora dessa.

Fale um pouco sobre o seu envolvimento com o Tomba Latas.
Eu sempre gostei muito de animais, e a Silvana, minha esposa também. Conhecemos o Tomba Latas através do perfil deles do facebook, e resolvemos um dia ir como voluntários a uma feira organizada por eles.
Desde então nos unimos ao grupo e ajudamos nos eventos, arrecadação de ração, e divulgação das feiras e das fotos dos cães para conseguir novos donos responsáveis.
Conhecemos o pesoal e gostamos muito do que vimos, pois não é nenhuma ONG ou abrigo, mas simplesmente um grupo de pessoas que se mobilizam por uma causa e ajudam muito aos animais de rua, encontrando lares para eles, geralmente animais que sofreram abuso ou maus tratos nas ruas. Os cães são resgatados, castrados e cuidados até encontrarem lares definitivos. Isso tudo contando com a colaboração das pessoas, sem nenhuma ajuda de prefeitura, governo, etc.


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