Mais turmas serão fechadas em escolas estaduais de Curitiba e isso acarretará em mais superlotação das salas de aula do Paraná. O alvo da vez é o centenário Colégio Estadual Professor Brandão, no Alto da Glória, que ao fechar as turmas, expulsa de suas dependências 450 estudantes. Os pais, avisados do problema em cima da hora, agora têm de se bater atrás de outras instituições para garantir a vaga dos filhos no ano letivo de 2012 e, de preferência, que elas estejam o mais próximo possível de suas casas. A Secretaria de Estado da Educação (SEED) coloca como alternativa aos pais os colégios Tiradentes (na Praça Dezenove de Dezembro), Conselheiro Zacarias (na esquina das ruas Ubaldino do Amaral e Itupava) e o Professor Loureiro Fernandes, no Juvevê. O Colégio Estadual do Paraná (CEP) também deverá receber os alunos do Professor Brandão, mas estes disputarão as vagas por meio de uma seleção a critério do CEP, que se baseia na comparação das notas dos estudantes, e têm apenas três dias para fazerem sua inscrição. O que é direito da criança e dever do estado virou motivo de competição e de desavenças. Os próprios professores terão de procurar sua turma em outras escolas. E nem se discute até aqui a força de vontade que terá de ter um estudante que muda de turno, de escola e que sai de uma turma de 28 alunos, por exemplo, para outra com quase o dobro de coleguinhas.

Três dias para os pais se destrambelharem em fazer inscrição no Colégio Estadual, alvo da maior disputa. Fora desse quadro, o recado à família é bem claro: "por sua inteira conta e risco"!
A maior reclamação dos pais está no desencontro e até na confusão de informações dadas pela escola. A insegurança tomou conta de todos. No dia 6 de outubro, a direção chamou uma reunião com os pais para explicar a “municipalização” do colégio, ou seja, o fechamento das turmas estaduais. Mas a convocatória foi enviada na terça-feira para uma reunião que aconteceria na quinta. Muita gente não compareceu, óbvio! Na ocasião, os pais, diante do inevitável, pediram que se garantisse a preferência das vagas no CEP por meio de uma simples transferência aos estudantes das turmas fechadas, mas isso não passou de ilusão. Uma mãe, que esteve ontem no Estadual, descobriu que a “preferência” se resume a 17 vagas disponíveis para a oitava série, que é a necessidade do seu filho. Mas para assegurar uma dessas vagas, o menino vai precisar “bater boletim” com os demais estudantes do Professor Brandão, concorrência superior a de muito vestibular que existe por aí. Ainda no Estadual, a mãe sentiu o descontentamento da direção do CEP com a administração do Professor Brandão. “A escola deveria encaminhar para a gente só os nomes dos selecionados e não mandar todos nos procurarem para que a gente faça aqui essa seleção”, disse um funcionário, crítico da transferência de responsabilidades. “Passaram a batata quente pra gente”, completou. Outra mãe argumentou que se escolha ficasse com a escola de origem, os critérios seriam mais subjetivos. De um lado e de outro, estão pais, professores e alunos atirados nessa arena de gladiadores pela imposição da Secretaria de Estado da Educação. A pergunta que se faz imprescindível é: precisava chegar nesse nível de disputa? Por vaga em escola?

Prática recorrente: comunicado enviado dia 19/10, convocando reunião para o dia 21/10. Corra, Lola, corra, que a escola vai fechar as portas!!!
Com relação aos demais colégios apontados pela SEED para os egressos do Professor Brandão nas regiões mais próximas, as reclamações vão além dos transtornos burocráticos. “No discurso, se defende que os pais sejam ativos na gestão da educação, acompanhem mais o dia a dia dos filhos nas escolas e que se estabeleça uma relação de comunidade para melhorar as condições de ensino e de aprendizagem, mas tudo isso desmorona diante da postura autoritária e surda adotada no fechamento turmas”, reclama uma mãe de aluno.
“A maioria dos pais que têm filhos nas escolas públicas é feita de pessoas simples, humildes, que não têm voz, não têm vez e, por isso mesmo, recebem passivamente ordens como essas, sem o direito de recorrer. Não tem o que fazer; estamos de mãos atadas e vendo o futuro dos nossos filhos ser tão desprezado. É humilhante!”, disse. Uma das denúncias que o Blog Lado B recebeu também dá conta de que até a disputa eleitoral para a escolha da direção das escolas pesou na hora de acatar o fechamento das turmas sem contestação: “Não houve qualquer resistência por parte da administração da escola, que entregou o Professor Brandão e não lutou por ele”, informou uma professora de lá.




12 comentários
Parabenizo você, Thea, pela rápida ação em mostrar à comunidade o que se passa “por trás dos bastidores” da Educação.
A Escola, uma das responsáveis em formar cidadãos morais e responsáveis, deveria ser MODELO de organização e respeito aos interesses comunitários (escola, aluno, família), e de forma ARBITRÁRIA, IMORAL, IRRESPONSÁVEL não lutou por manter-se INTEIRA, transformando nossos filhos em peças de um anagrama, movendo-os de cá para lá até formarem o pejorativo BOBÕES.
É grande a indignação dos pais e alunos, que além de terem que manter seus filhos em instituição pública (que todos sabem ser de nível questionável) ainda passam pela humilhação do DESCASO e da IMPOTÊNCIA, ficando mais uma vez nas “mãos lavadas” de quem joga com o PODER.
Espero que o Estado HONRE o compromisso moral de, ao retirar um direito do cidadão, lhe dê em troca o benefício da escolha sem passá-lo por mais testes, pois as situações em que estes que dependem do que é “público”, além de terem sua paciência testada amiúde muitas vezes não passa de “privada”.
Um grande abraço!
olha so esse colegio faz 100 anos quantos mestres e doutores sairam desse local ! que pena que o nucleo nao deu nem oportunidade para nos pais descurtir com serinidade sobre nossas crianÇas ?
custo acreditar no descaso q se dá a municipalização da Colégio Estadual Professor Brandão, no período eleitoral os nossos candidatos todos falam “se eleito for, vou melhorar a educação, vou lutar por melhor qualidade de ensino” e agora??? Proponho uma conversar entre pais e direção da escola para questionarmos qual foi a participação dos vereadores, deputados e demais autoridades neste processo de municipalização do colégio Professor Brandão dando apoio aos alunos aos professores aos funcionários, ou será q entregar ambulância , ônibus escolares e hospitais SEM RECURSOS HUMANOS dá mais votos??
A municipalização do nosso Professor Brandão foi decidida à treze anos atrás, quando o governo Lerner e seu séquito de “homens notáveis” encostou os diretores das escolas do centro na parede e exigiu que decidissem qual das escolas seria municipalizada. A diretora da época, adoentada e acuada, foi obrigada à ceder à pressão de todos e “negociou” a municipalização do Brandão.
Sabendo disto, pais influentes politicamente na época, e sabendo da competência da diretora, procuraram autoridades (inclusive o saudoso deputado Anibal Kury), que impediram este absurdo, que hora se abate novamente e desta vez em definitivo sobre o Brandão.
Assim foi durante os anos de governo Requião. Enquanto isso, as outras escolas vizinhas (Zacarias e Tiradentes – salvas pelo gongo da municipalização, ainda mais agora, com a recepção dos alunos vindos do Brandão) sofriam a inclusão do sistema de funcionamento em dualidade (estado e município dividindo o mesmo espaço), quase sendo municipalizadas também.
Portanto, com a saída do governo anterior, e a chegada do governo atual, foi desenterrado o processo de municipalização do Brandão.
Isto visa atender a demanda de 1ª a 4ª série existente no Alto da Gloria, bairros vizinhos e creches vizinhas, como a do H.C., que é atendida pelo Brandão nas séries subsequentes há anos. Nada mais lógico.
É importante frisar estes fatos, principalmente por quem acompanhou de perto o processo que levou à municipalização do Brandão. A culpa não é da administração atual, que inclusive seria substituída por outra não menos competente, no processo eleitoral que ocorre esta semana.
O que sobra disto tudo é o que foi citado pelos outros seguidores deste blog: O Estado, no mínimo deveria garantir vagas para todos os alunos no CEP, uma vez que HÁ VAGAS PARA TODOS, SEM DÚVIDA NENHUMA, POIS O CEP TEM SALAS OCIOSAS!!!
Inclusive todos os colegas que trabalham no Brandão, podem ser aproveitados no mesmo CEP. Resumindo: hoje em dia, o CEP pode comportar o Brandão!
Mas acho que isto é uma outra história…
Na verdade, meu caro amigo, culpa da atual administração sim!!!!!!!!!!!!!!!! lamento , mas nao viu quem nao quis…..se os pais a treze anos atraz foram avisados e tomaram providencias; pergunto porqu~E DESTA VEZ TUDO FOI FEITO NA SURDINA….SEM OS PAIS SABEREM DO QUE ESTAVA ACONTECENDO…LAMENTO…
preciso pegar o historico dos meus filhos que estudaram no Colégio Professor Brandão
ALEXANDRE DE MELO
ALERSON GEAN DE MELO FAGUNDES
COMO FAZER PARA PEGAR OS DOCUMENTOS ,SE O COLÉGIO JA NÃO EXISTE MAIS
Brandao já era…que pena, nao precisava acabar deste jeito…
nossa eu adorava esse colegio eu acho que tinha um bom ensino pena que vai acabar
que pena uma escola tao certinha caiu nas maos de gente tao erradinha….que só fez besteira, má administração…
Vou dar a vocês a versãode quem tem filhos nessas escolas citadas, meu filho de 8 anos estudava no prédio do Tiradentes mas a escola era a Conselheiro Zacarias, pois era a única escola no centro da cidade para essa faixa etária, o espaço era dividido entre o estado ( Tiradentes ) e o municipio ( Zacarias).Fomos avisados no fim do ano que eles seriam transferidos para a prof .Brandão, porque tem mais estrutura para abrigar as crianças e isso é fato.Mas não foi disponibilizado ônibus para todas as crianças que moram no centro irem a escola, meu filho ficou fora do ônibus.Quanto ao CEP, não acho justo que alunos sem fazer a prova entrem lá, minha filha estudou no CEP e teve que fazer uma prova para entrar , não vejo porque outros possam entrar sem passar por esta prova.
O fato é que se fez tudo virar uma bagunça para nós pais e para os alunos.Há uma falta muito grande de escolas até a quinta série no centro, não há opção.Precisamos de escolas mais bem estruturadas , não depósitos de alunos e principalmente de professores melhores pagos, para que estes possam ter prazer em dar aulas e tenham o merecido reconhecimento para aquele que forma os cidadãos de uma nação
Tomaram a escola e nem preencheram todas as salas. Quando era escola estadual ao menos tinha alunos. Voce passa la na frente e ve uma escola triste e sem brilho…abandonada….que pena!!!!
Atitude tomada sem pensar…..
concordo com a Luana, ano passado eu estudava no Brandão, todos gostavam do colégio, pois os professores eram bons, ficamos totalmente decepcionados quando soubemos que o professor Brandão ia acabar, queríamos fazer algo, mas os professores mesmo disseram que não adiantava de nada ! os alunos não tinham pra onde ir, poise o zacarias que é o colégio mais perto só tinha vaga pras 8ª , e as outras séries não tinham vaga, e quando tinha era apenas para tarde, muita gente de 6ª e 7ª série de manhã pararam de estudar porque não tinham pra onde ir. Eu ainda não consigo entender o porque disso, sendo que de manhã tinham várias salas que ninguém usava, porque eles não podiam abrir mais séries já que de manhã só tinha a 6ª,7ª e 8ª séries ? é lamentável um colégio como o Brandão acabar. Um colégio com mais de 100 anos, toda uma história.. lamentável mesmo !