“As Bruxas de Guaratuba”: uma sociedade remexe o seu caldeirão.

Capa do livro da Vania e a história de uma sociedade sob suspeita!

Uma série de informações desencontradas e de perguntas sem respostas vão estar na sala do Júri no próximo dia 27, quando a filha do ex-prefeito de Guaratuba, Beatriz Abagge, voltará a se sentar no banco dos réus. Ela já havia sido inocentada no caso que ficou conhecido como “As Bruxas de Guaratuba”. Em 1992, Beatriz, a mãe (Celina) e mais cinco homens foram acusados da morte do menino Evandro Caetano, durante um suposto ritual de magia negra no litoral do Paraná.

“As Bruxas de Guaratuba” é também o título do livro escrito pela jornalista Vania Mara Welte, que venceu o prêmio Esso Regional Sul de Jornalismo com uma série de reportagens feitas pelo jornal Hora H, de Curitiba. Nele, a jornalista conta detalhes da investigação e conclui pela inocência das Abagge e dos outros acusados. O texto descreve uma trama macabra de cunho político que se desenrolou nos bastidores das acusações à filha e à esposa do ex-prefeito de Guaratuba, Aldo Abagge, já falecido. O livro da Vania sequer foi publicado.

Vania denuncia que as mulheres e os homens foram torturados para confessarem um crime que jamais cometeram e em nome do qual sofreram abusos escabrosos. Ela questiona: por que a Justiça nega que seja feita a exumação para teste de DNA dos restos mortais daquele corpo, enterrado em cemitério de Guaratuba, como sendo o de Evandro Caetano? E, ainda, por que Beatriz pagou pelo suposto crime se o nome denunciado na época foi o de sua irmã, Sheila Abagge? Aonde as duas Abagges ficaram durante quase sete horas após serem retiradas de casa? Por que estavam urinadas, evacuadas e sujas? Há muitas outras questões.

O fato é que a má fama que ainda permeia o imaginário de quem se aterrorizou com a história nos noticiários, rende muitos outros prejuízos para os acusados. A família Abagge já perdeu a maior parte de seus bens e o que sobra não pode ser tocado. Então, como pagar os advogados? Como sobreviver? Celina, a mãe, tem mais de 70 anos e, pela Lei, não pode mais ir à Júri. Mas a filha ainda pode. Beatriz corre sério risco de voltar para a prisão.

A jornalista Vania Welte, prêmio Esso de jornalismo, questiona versão oficial do caso. Suas investigações apontam para a inocência dos acusados.

Todos os promotores (acusação) envolvidos no caso estão há anos familiarizados com as mais de 70 mil páginas do processo, diferentemente dos advogados que assumiram a defesa de Beatriz Abagge há menos de um mês. Beatriz já cumpriu quase quatro anos presa, em regime fechado, outros três em prisão domiciliar e foi inocentada. A partir do dia 27, tudo pode voltar atrás, sem que se tenha certeza definitiva das circunstâncias do suposto assassinato do garoto, da participação das Abagge e sem que se levantem as investigações sobre torturas e crimes de chapa branca, em nome de interesses políticos, cometidos nas entranhas do poder paranaense.

Há muitas perguntas sem respostas e houve omissão de autoridades da época. Tal qual Pilatos, os poderosos lavaram as mãos. Será que já estão limpas?!

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NOTA DA REDAÇÃO: a seriedade e a competência do trabalho da jornalista Vania Mara Welte são suficientes para colocarem uma enorme pulga atrás da orelha com relação a esse caso e garantir aos acusados (que já foram inocentados antes, é bom frisar) ao menos o benefício da dúvida. Além disso, os escabrosos bastidores da ganância pela manutenção do poder político no Paraná são evidências poderosas em favor dos questionamentos e da convicção de que esta história ainda está mal contada e que possui um Lado B debaixo desse tapete. A publicação do livro da Vania é mais do que aguardada!

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Um comentário

  1. Franco
    Postado 30 de maio de 2011 às 12:08 | Permalink

    Justiça foi feita ! Não é com versões mal contadas que a verdade seria reprimida… Muita gente está preocupada com a condenação… JUSTIÇA FOI FEITA. Ao menos uma culpada irá para a cadeia…

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